A realidade
Enquanto olhava outra bicha, a bicha do autocarro do sentido sul da rua de Narbonne e vi muita gente (+/-50 pessoas) à espera, pensei para mim:"Tanta gente à espera do autocarro numa única paragem!" Isto fez-me reflectir que embora às vezes tivesse dificuldades de apanhar o autocarro, isto quando andava nele, nunca tinha visto nada assim. Que coisa tão estúpida/simples estarás tu a dizer, mas o facto é que comecei a pensar que outras situações, que outras realidades são para mim desconhecidas cá em Toulouse.
O caminho que tomamos para casa, quase sempre o mesmo, as pessoas que falamos, os lugares que conhecemos são, acho eu, muito poucos para dizermos que conhecemos um lugar. Isto quando o lugar nos é novo. Só uma estadia longa e um sentido de aventura nos faz conhecer os lugares. Um simples beco, rua, avenida pode trazer-nos muito conhecimento, e prazer. Não consigo deixar de ter pena como já o disse antes, de alguém que gosto não conhecer as mesmas coisas/lugares/pessoas que eu, tenho pena de o mundo não acreditar nas coisas como eu. Tudo isto vai passar vejo-me a tornar no mesmo que antes, fechado. A conhecer o mundo e a percebe-lo verdadeiramente só. Espero que apareça alguém no meu caminho com a mesma vontade de olhar para o mundo, de deixar-se deslumbrar. "Que tolo". O que é que as pessoas procuram? Elas aparentemente não são diferentes de mim, mas à algo que não encaixa, à algo que diferencia-me dos outros (alem da minha timidez e capacidade de isolar-me). Isso é uma das minhas questoes. Se souberes diz-me.
Existem varias ruas e becos que já disse a mim mesmo: "Tenho de cá passar outra vez, e tirar fotografias". Mas não há melhor fotografia que a tirada pelo nossa câmara. Elas dá-nos as perspectivas, ela dá-nos a vida existente, ela permete-nos fazer montagens complicadas especialmente nos nossos sonhos, ela dá-nos a realidade. Por isso ir aos lugares, passar algum tempo a olhar para eles, percorrê-los varias vezes, porque uma não basta, é o melhor que podemos fazer para conhecer o mundo e as pessoas do mundo.
Isto leva-me a uma outra questão: Tirar fotografias a tudo e a todos?
A minha resposta é simples, não. Simplesmente porque depois são muitas fotografias e não haverá tempo de as rever. Devemos tirar fotografias de uma forma especial. Devemos guardar aquilo que nos é especial, aquilo que faz parte de nos, aquilo que queremos lembrar no futuro.
O certo é que nada é certo quando se trata dos outros....








